ASPAS COM O GESTOR, JULHO 2026

Julho foi o mês em que o Brasil se beneficiou de um problema alheio. Depois de meses de forte concentração global em ativos ligados à inteligência artificial, a valorização acumulada nesses nomes levou gestores ao redor do mundo a buscar diversificação, e o mercado brasileiro, negociando a múltiplos comprimidos e pouco correlacionado ao tema de tecnologia, voltou a aparecer como alternativa. O resultado foi uma entrada líquida relevante de recursos estrangeiros na bolsa e o primeiro mês positivo para o Ibovespa desde fevereiro, mesmo em meio a duas notícias que, isoladamente, seriam ruins, a retomada dos ataques entre Estados Unidos e Irã, com o petróleo subindo com força no mês, e um tarifaço adicional do governo americano sobre produtos brasileiros.

No cenário internacional, o Federal Reserve manteve os juros inalterados pela quinta reunião consecutiva, mas o placar da decisão trouxe uma leitura mais dura, com parte do colegiado sinalizando maior disposição para elevar juros caso a inflação não ceda. No Brasil, o movimento foi na direção oposta, o IPCA de junho desacelerou e o indicador quinzenal de julho surpreendeu para baixo, reforçando as apostas em um novo corte da Selic em agosto e melhorando, ainda que de forma marginal, a narrativa para os ativos domésticos.

O Ibovespa encerrou julho com alta de 3,47%, seu melhor mês desde fevereiro. Nos Estados Unidos, a divergência entre índices que já havíamos comentado em junho se repetiu, o Dow Jones avançou 0,32% enquanto o Nasdaq recuou 3,20%, reflexo direto da correção nas ações de semicondutores após meses de valorização acumulada em torno da infraestrutura de inteligência artificial. O CDI rendeu 1,22% no mês.

O SF Aquarius FIM apresentou retorno de -0,09% em julho, acumulando 1,61% no ano e 11,46% nos últimos 12 meses. Dentro da carteira internacional do fundo, as posições em Microsoft, Amazon e Coca Cola seguiram contribuindo de forma positiva no período.

O SF Scorpius FIA encerrou julho com alta de 0,67%, acumulando 1,15% no ano e 22,24% nos últimos 12 meses. Priner e Copasa lideraram as contribuições positivas da carteira, capturando parte do movimento de rotação para o Brasil. O SF Cash FIF RF apresentou rentabilidade de 1,19% em julho, acumulando 7,95% no ano e 14,40% nos últimos 12 meses.

Para agosto, acompanhamos de perto a decisão do Copom. A desaceleração da inflação, com o IPCA quinzenal de julho surpreendendo para baixo, abriu espaço para um novo corte da Selic, e nossa leitura passou a considerar uma taxa terminal ao redor de 13,75% ao ano, ligeiramente abaixo da expectativa anterior.

O segundo ponto de atenção é a real dimensão do novo tarifaço americano sobre produtos brasileiros. A lista de exceções preservou itens relevantes da pauta exportadora, como petróleo bruto, carne bovina, café e aeronaves, o que sugere impacto mais limitado do que o anunciado à primeira vista, mas ainda vamos acompanhar como isso se traduz em números concretos ao longo de agosto. Por fim, seguimos monitorando se a correção nas ações de semicondutores foi um ajuste pontual de valuation, como sugerem os últimos dias de julho, ou o início de algo mais duradouro.

Atenciosamente,

Equipe de Gestão Santa Fé


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Equipe Santa Fé