Cenário Macroeconômico
Setembro foi o mês em que a política pesou mais sobre o mercado do que o próprio cenário externo. O Ibovespa teve um de seus melhores meses do ano, mesmo com a escalada das tensões no Oriente Médio e a pressão adicional sobre o petróleo. A leitura mais relevante para essa alta, porém, veio das urnas antes mesmo delas acontecerem. O avanço de candidaturas de oposição nas pesquisas eleitorais foi interpretado pelo mercado como um sinal de maior probabilidade de disciplina fiscal a partir de 2027. Esse movimento ajudou a comprimir a curva de juros doméstica ao longo do mês. A entrada líquida de aproximadamente R$ 9,6 bilhões em recursos estrangeiros na bolsa também contribuiu, mas em um grau secundário diante desse movimento.
Nos Estados Unidos, a combinação de atividade forte e inflação persistente levou o Federal Reserve a iniciar um novo ciclo de alta de juros, com a taxa passando para a faixa entre 3,75% e 4,00% ao ano. Movimento semelhante ocorreu na Europa, onde o Banco Central Europeu também elevou os juros diante da resiliência da atividade e da persistência da inflação. Já no Brasil, o Copom seguiu na direção oposta e reduziu a Selic em 0,25 ponto percentual, para 13,75% ao ano, embora a manutenção da taxa nesse patamar seja o cenário mais provável para as próximas reuniões.
Desempenho dos Índices e Fundos
O Ibovespa encerrou setembro com alta de 5,03%, acumulando ganho de 15,6% no ano. Nos Estados Unidos, o Nasdaq subiu 1,86%, enquanto o S&P 500 recuou 0,45% e o Dow Jones caiu 4,29%. Esse movimento refletiu a reação do mercado ao início do novo ciclo de alta de juros do Federal Reserve. O IVVB11 teve variação negativa de 0,44% no mês, e o CDI rendeu 1,08%.
Entre os destaques de rentabilidade do mês, Micron, Meta e Intel lideraram as contribuições positivas na carteira internacional, beneficiadas pela continuidade dos investimentos em data centers e infraestrutura de inteligência artificial. No Brasil, BTG Pactual, Itaú e Localiza se destacaram na carteira doméstica, capturando parte do bom momento da bolsa e da entrada de recursos estrangeiros no mês.
O SF Aquarius FIM apresentou retorno de 3,95% em setembro, acumulando 7,64% no ano e 11,67% nos últimos 12 meses. Já o SF Scorpius FIA encerrou o mês com alta de 6,36%, superando o Ibovespa em 1,33 ponto percentual. No acumulado, o fundo tem 7,90% no ano e 16,77% nos últimos 12 meses.
Por sua vez, o SF Cash FIF RF apresentou rentabilidade de 1,12% em setembro, acumulando 10,35% no ano e 14,20% nos últimos 12 meses. O SF Global FIA encerrou o mês com alta de 0,36%, acumulando 9,75% desde o seu início. O fundo ainda não completou 12 meses desde o lançamento e, por isso, segue sem histórico anual completo para efeito de comparação.
Perspectivas
O principal ponto de atenção para outubro segue sendo a eleição, com primeiro turno no dia 4 e segundo turno no dia 25. O movimento observado em setembro, de queda na curva de juros acompanhando o avanço de candidaturas de oposição nas pesquisas, mostra que o mercado já começou a precificar possíveis mudanças na condução da política fiscal a partir de 2027. Mais do que o resultado das urnas isoladamente, acompanharemos sinalizações concretas sobre o controle das despesas públicas e a trajetória da dívida, que devem seguir sendo o principal vetor para os ativos brasileiros nas próximas semanas.
O segundo ponto de atenção é o petróleo e seus derivados, em especial o diesel, cujos preços seguem pressionados por interrupções em refinarias e rotas comerciais no Oriente Médio e na Rússia. Para o Brasil, que é exportador líquido de petróleo, mas ainda depende da capacidade de refino de outros países, esse cenário representa um risco relevante para o abastecimento e os preços domésticos dos combustíveis.
Por fim, seguimos acompanhando o ritmo de alta de juros nos Estados Unidos e na Europa, já que novas elevações tendem a manter pressionados os ativos de mercados emergentes. Fechamos setembro com a confirmação de que, mais do que qualquer variável econômica isolada, é a política que está no centro das atenções do investidor neste momento. Seguiremos atentos a cada sinalização que vier das urnas em outubro.
Atenciosamente,
Equipe de Gestão Santa Fé
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