EUA: O COMPASSO DOS MERCADOS GLOBAIS
Em um ambiente de transformações estruturais, tensões comerciais e mudanças geopolíticas relevantes, uma constante permanece: a economia americana continua ditando o ritmo dos mercados globais. Apesar do debate sobre multipolaridade econômica, regionalização do comércio e ascensão de outras potências, os Estados Unidos seguem sendo o principal referencial para crescimento, liquidez global e apetite a risco. O motivo não é apenas histórico. É estrutural.
O tamanho da economia americana ainda importa
Os Estados Unidos continuam sendo o maior mercado consumidor do mundo. O consumo das famílias americanas, responsável por parcela relevante do PIB, tem se mostrado resiliente mesmo diante de juros elevados, incertezas políticas e tensões comerciais.
Projeções recentes indicam crescimento em torno de 2% a 2,5% para 2025 e 2026, ritmo robusto para uma economia desenvolvida de grande porte. O PIB americano, isoladamente, supera o de blocos econômicos inteiros, e sua dinâmica de consumo sustenta exportações e cadeias produtivas globais.
Mesmo com queda na confiança do consumidor e sinais mistos em indicadores tradicionais, o consumo segue forte. Isso evidencia um ponto central do atual cenário macro: os antigos sinais de alerta já não funcionam da mesma forma.
Indicadores que falham e um novo regime econômico
Curva de juros invertida, Regra de Sahm, deterioração da confiança do consumidor e tensões geopolíticas tradicionalmente antecipariam uma desaceleração relevante. Ainda assim, a recessão amplamente prevista não se materializou.
A economia americana tem desafiado modelos tradicionais. Investimentos corporativos seguem elevados, o mercado de trabalho permanece resiliente e o consumo, embora concentrado nas faixas de renda mais altas, sustenta a atividade.
Estamos em um momento de mudança estrutural, no qual relações históricas entre juros, crescimento, dólar e risco se tornaram menos previsíveis. Isso não elimina a liderança americana. Pelo contrário, reforça seu papel como referência central.
Federal Reserve e o impacto global
A política monetária do Federal Reserve continua sendo o principal vetor de transmissão para o restante do mundo. Juros elevados nos Estados Unidos atraem capital global, fortalecem o dólar e pressionam moedas emergentes. Por outro lado, ciclos de corte tendem a estimular fluxo para ativos de risco e para economias emergentes.
O atual momento, com expectativa de flexibilização gradual em 2026, ajuda a explicar o fortalecimento recente do fluxo para emergentes. Quando o custo do dinheiro americano começa a recuar, o apetite por risco global tende a aumentar.
O papel do dólar
Mesmo diante de discussões sobre diversificação cambial e acordos comerciais alternativos, o dólar permanece como principal moeda de reserva global. Curiosamente, em um ambiente de incerteza estrutural, o dólar tem apresentado períodos de enfraquecimento, contrariando padrões históricos de busca por refúgio. Isso reforça a leitura de que estamos em um regime econômico menos linear, mas não altera o fato de que a dinâmica americana segue sendo determinante para o fluxo global de capitais.
Fluxo para emergentes: reflexo do ciclo americano
O atual movimento de rotação para mercados emergentes não ocorre isoladamente. Ele é consequência direta do ciclo monetário americano e da busca por retorno em um ambiente de normalização gradual dos juros.
Quando os Estados Unidos crescem de forma resiliente e o Federal Reserve sinaliza redução de aperto monetário, o capital global encontra espaço para diversificação. Países emergentes passam a se beneficiar tanto de melhora de liquidez quanto de apetite por risco. Ou seja, mesmo quando o fluxo vai para fora dos EUA, ele continua sendo determinado pelo que acontece dentro deles.
A estratégia da Santa Fé e a exposição global
Na Santa Fé, entendemos que ignorar a economia americana é ignorar o principal motor do sistema financeiro global. Por isso, o SF Aquarius mantém exposição relevante à economia americana e ao cenário internacional como um todo.
Essa diversificação foi fundamental para a performance expressiva observada no ano passado (+24,31%), permitindo capturar tanto movimentos domésticos quanto oportunidades globais em um ambiente de transformação estrutural.
Além disso, reforçando nossa visão de longo prazo, iniciamos recentemente a estratégia SANTA FÉ GLOBAL EQUITIES, um fundo com foco internacional que amplia nossa capacidade de capturar tendências estruturais fora do Brasil. O racional é claro: a economia global exige uma abordagem global.
Conclusão
O mundo passa por um período de mudanças profundas. Regras tradicionais falham, indicadores confundem e narrativas se multiplicam. Ainda assim, a economia americana continua sendo o principal compasso dos mercados.
Seja pelo tamanho do seu consumo, pela influência do Federal Reserve, pelo papel do dólar ou pela liderança tecnológica, os Estados Unidos seguem determinando a direção do capital global. Para o investidor, compreender esse eixo central é essencial. Mesmo quando o fluxo se desloca para emergentes, a origem do movimento continua sendo americana.
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Publicado por
Equipe de Gestão

