ASPAS COM O GESTOR, MAIO 2026

Maio foi o mês em que o mercado cobrou a conta de quem ainda acreditava que o Brasil navegaria à margem do ambiente global. O fluxo estrangeiro, que sustentou a bolsa brasileira durante o primeiro trimestre, simplesmente parou. Não por um evento isolado, mas pela combinação de um dólar que resistiu à queda, um cenário político doméstico que se deteriorou com o episódio envolvendo Flávio Bolsonaro, e um capital global que encontrou destino mais claro na corrida pela infraestrutura de inteligência artificial nos Estados Unidos.

Nossa leitura, construída ao longo do mês, foi de crescente cautela. Diante dos sinais de estabilização do dólar na faixa de 5,00, zeramos nossas posições vendidas na moeda americana e passamos a monitorar o ativo com viés potencialmente comprador. Não foi uma virada de convicção sobre o Brasil, mas um reconhecimento de que o ambiente mudou e que resistir a essa leitura teria custo real para os cotistas.

Os mercados americanos encerraram maio em forte alta: Nasdaq avançou 8,36%, S&P 500 subiu 5,15% e Russell 2000 registrou valorização de 4,27%. No Brasil, o movimento foi oposto, com o Ibovespa recuando 7,22%, o SMLL caindo 3,66% e o EWZ registrando queda de 9,55% em dólar. O dólar avançou 1,66% no período, enquanto o CDI rendeu 1,07%.

O SF Aquarius FIM apresentou retorno de -0,97% em maio. A perda reflete a pressão sobre os ativos locais, parcialmente compensada pela carteira internacional, que seguiu contribuindo de forma relevante. Nossa exposição a nomes ligados à inteligência artificial, em particular Micron Technology e Dell Technologies, ajudou a atenuar o impacto de um mês difícil para os emergentes. O fundo acumula ganho de 3,31% no ano e 12,98% nos últimos 12 meses.

O SF Scorpius FIA encerrou maio com queda de 7,15%, desempenho superior ao Ibovespa no período. A menor exposição a nomes de alta correlação com o fluxo estrangeiro e a posição em Usiminas, beneficiada pelo avanço das medidas antidumping no setor de aço, foram decisões que contribuíram para esse resultado relativo. O fundo acumula alta de 2,90% no ano e 19,25% nos últimos 12 meses. O SF Cash FIF RF apresentou rentabilidade de 1,16% em maio, acumulando 5,53% no ano e 14,59% nos últimos 12 meses.

O que observamos para junho é um mercado à espera de definição em duas frentes. A primeira é o dólar: enquanto ele não retomar uma trajetória clara de queda, o fluxo estrangeiro para emergentes continuará escasso, e o mercado brasileiro seguirá dependente de um comprador que, por ora, está ausente. A segunda é o cenário político doméstico, que ganhou uma camada de incerteza em maio que ainda não foi completamente absorvida pelos preços.

Há, porém, um movimento que acompanhamos com interesse crescente. Argentina, Chile, Colômbia e Peru apresentaram sinais de melhora ao longo do mês, em linha com um reposicionamento político regional que historicamente favorece os ativos locais desses países. Avaliamos oportunidades pontuais nessa frente, com seletividade.

Meses como maio são incômodos, mas são também os que mais ensinam. A qualidade da gestão não se mede nos meses em que tudo sobe, mas na capacidade de preservar capital e manter a clareza de raciocínio quando o ambiente aperta. Seguimos firmes nesse compromisso com cada um de vocês.

      Atenciosamente,

      Equipe de Gestão Santa Fé


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      Bernardo Gomes