Agosto foi um mês em que o mercado brasileiro sentiu na pele a disputa por capital com o tema mais forte do momento, a corrida global por ativos ligados à inteligência artificial. O Ibovespa fechou o mês praticamente estável, mas essa aparente estabilidade escondeu uma saída líquida de cerca de R$ 18 bilhões em recursos estrangeiros, o pior mês de fluxo do ano. Ao mesmo tempo, o petróleo subiu com a manutenção das tensões no Oriente Médio, superando os 90 dólares por barril em alguns momentos e pressionando ainda mais a inflação global.
No cenário internacional, o Federal Reserve manteve os juros inalterados pela quinta reunião consecutiva, mas o placar da decisão trouxe uma leitura mais dura, com parte do colegiado sinalizando maior disposição para elevar juros caso a inflação não ceda. No Brasil, o movimento foi na direção oposta, o IPCA de junho desacelerou e o indicador quinzenal de julho surpreendeu para baixo, reforçando as apostas em um novo corte da Selic em setembro e melhorando, ainda que de forma marginal, a narrativa para os ativos domésticos.
Desempenho dos Índices e Fundos
O Ibovespa encerrou agosto com queda de 0,33%. Nos Estados Unidos, o Nasdaq subiu 3,93% e o S&P 500 avançou 2,62%, favorecidos pela retomada do apetite por semicondutores e infraestrutura de inteligência artificial, enquanto o Dow Jones, mais concentrado em setores cíclicos e industriais, subiu 1,34%. O CDI rendeu 1,09% no mês.
Entre os nomes que mais contribuíram para o resultado do mês, Petrobras e São Martinho se destacaram na carteira, capturando parte do movimento de rotação para ativos domésticos em meio à alta do petróleo e das commodities agrícolas. Na frente internacional, Micron e Nvidia também contribuíram de forma positiva, beneficiadas pela retomada do apetite por ativos ligados a semicondutores e inteligência artificial.
O SF Aquarius FIM apresentou retorno de 1,91% em agosto, acumulando 3,55% no ano e 10,12% nos últimos 12 meses. O SF Scorpius FIA encerrou o mês com alta de 0,30%, superando o Ibovespa em 0,63 ponto percentual, acumulando 1,45% no ano e 13,90% nos últimos 12 meses.
O SF Cash FIF RF apresentou rentabilidade de 1,10% em agosto, acumulando 9,13% no ano e 14,35% nos últimos 12 meses. O SF Global FIA encerrou o mês com alta de 4,40%, acumulando 9,36% desde o seu início. Por se tratar de uma estratégia mais recente, o fundo ainda não possui histórico de 12 meses completos para efeito de comparação.
Perspectivas
Para setembro, acompanhamos de perto a entrada em vigor, no dia 4, da medida do Tesouro americano de recompra de títulos longos, que pode reforçar a tese de um dólar globalmente mais fraco e favorecer moedas e ativos de mercados emergentes.
O segundo ponto de atenção é a eleição brasileira. Todos os candidatos têm reforçado publicamente a necessidade de ajuste fiscal, o que muda o tom do debate em relação a ciclos anteriores, e o mercado tende a reagir bem a qualquer sinalização concreta nessa direção. Acompanharemos também se o Copom confirma o corte adicional de 0,25 ponto percentual na Selic que projetamos para a reunião de setembro.
Por fim, seguimos monitorando o petróleo, negociado hoje entre 70 e 90 dólares por barril, com tendência, em nosso cenário central, de aproximação do piso dessa faixa caso as tensões no Oriente Médio arrefeçam.
Atenciosamente,
Equipe de Gestão Santa Fé
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