REFLEXÕES SOBRE 2022 E IDÉIAS PARA 2023.

Não foi um ano fácil.

2022 teve muita turbulência vinda de fora com o brutal ajuste nos juros promovido pelo FED e também interna com a incerteza eleitoral seguida do viés “pouco ortodoxo” do novo governo.

Os 4,69% de alta no Ibovespa não refletem nem de perto o que aconteceu com o mercado de ações no Brasil em 2022! “Small” e “Mid Caps” foram literalmente massacradas com a alta da Selic e quando tudo parecia melhorar, em novembro, após as eleições, quando a curva de juros já apontava para uma queda e o mercado de ações começava a reagir, o discurso desastroso do novo governo, levantando a bandeira do social e menosprezando o fiscal, promoveu novo ajuste brutal na curva de juros futuros que detonou novo tombo nas ações das empresas mais endividadas e dependentes de dívidas!

Parece que o novo governo não entendeu os erros do passado e ensaia insistir na chamada “nova matriz econômica“ que provocou a maior recessão que já vivemos e que desencadeou o impeachment da presidente Dilma em 2016.

É impossível atender aos anseios legitimos dos mais pobres sem responsabilidade fiscal. Custo a acreditar que não tenham incorporado a lição.

Mas 2022 agora é passado, está no retrovisor, o que esperar de 2023?

Importante ficar atento aos primeiros passos do novo governo. Nas últimas semanas parece que a ficha caiu e o discurso da responsabilidade fiscal voltou à cena. Esse é o único caminho! Com responsabilidade, certamente os ventos serão favoráveis e mais uma vez, assim como em 2003, colherão bons frutos já que os alicerces foram lançados pelo governo que sai com muita luta e sacrifício.

Quem me conhece sabe que sou um otimista nato. Prefiro ser assim, pode até render pouca visibilidade nas redes sociais onde somente aqueles que preconizam o caos brilham, e como brilharam em 2022! Mas nos meus 30 e poucos anos de mercado sei que em anos que comecam com um pessimismo exagerado e o caos contratado, acabam terminando de forma bastante diferente e até surpreendente. Arrisco dizer que 2023 será assim.

Mas e se tudo der errado? Se realmente essa equipe econômica pouco conhecida trocar o pé pelas mãos?

Bom estamos num momento em que não haverá meio termo: ou seguiremos para o caminho do centro e da responsabilidade fiscal, ainda que de uma forma nova mas efetiva, ou então teremos um descontrole econômico, uma deterioração social muito rápida e, infelizmente, em cenário caminhando para hiperinflação e quem paga a conta são os mais pobres, disso conhecemos.

Resumindo: 2023 não será um ano morno! Se o novo governo tiver responsabilidade fiscal veremos juros e Dólar caindo, uma recuperação forte no mercado de ações principalmente nas “Small” e “Mid Caps”. Mas se a farra da gastança prevalecer, preparem-se, por que o Dólar vai subir bastante, assim como juros, e num segundo momento todos os demais ativos reais, incluindo imóveis, ouro e também ações, em pouco tempo estaremos no mesmo caminho dos nossos vizinhos argentinos.

Um outro ponto relevante que nos traz esperança e não pode ser esquecido é o novo congresso eleito em 2022. Com um viés mais reformista e fiscalista, aos novos congressistas cabe enquadrar o novo governo em defesa dos mais pobres. Que assim seja.

“Jamais alcançaremos responsabilidade social sem responsabilidade fiscal” que isso seja um mantra nos próximos quatro anos, esse é nosso maior desejo para 2023.

Publicado por

Paulo Battistella Bueno

Partner & Portfolio Manager at Santa Fé Investimentos