COINVESTIMENTO: QUANDO O RISCO É O MESMO PARA TODOS

O mercado financeiro brasileiro acumulou, ao longo das últimas décadas, uma lista extensa de gestoras que não sobreviveram. Algumas quebraram em crises. Outras se desfizeram em momentos de estresse. Outras ainda simplesmente deixaram de existir quando o ambiente ficou adverso o suficiente para revelar fragilidades que, em tempos de bonança, permaneciam ocultas.

Sobreviver a quatro décadas de mercado no Brasil não é uma conquista menor. É atravessar o Plano Collor, o confisco da poupança, a crise cambial de 1999, o Apagão de 2001, o Joesley Day, a pandemia de 2020 e o ciclo mais agressivo de alta de juros das últimas gerações. Em cada um desses momentos, o sistema financeiro separou quem tinha convicção real de quem tinha apenas narrativa.

A Santa Fé atravessou todos esses ciclos. E uma das razões estruturais para essa resiliência está em um princípio que, embora simples, define profundamente a forma como a casa opera: os sócios e gestores são os maiores cotistas individuais dos fundos que administram.

O mercado tem um nome para esse conceito: coinvestimento. A literatura financeira, especialmente após Nassim Taleb popularizar o termo, chama de skin in the game. A ideia central é a mesma: quando quem decide também carrega as consequências da decisão, o processo de análise muda de natureza.

Não se trata de uma política de alinhamento de interesses escrita em um manual interno. Trata-se de uma realidade financeira concreta. Quando o patrimônio de quem toma as decisões está exposto aos mesmos riscos e às mesmas oportunidades que o patrimônio do cotista, não existe separação entre o que é bom para o fundo e o que é bom para o gestor. Existe uma carteira única, compartilhada, com as mesmas consequências para todos.

Essa condição não elimina erros. Nenhum modelo de gestão elimina. Mas cria um ambiente em que a prudência nas alocações, o rigor na análise e a disciplina na construção de portfólio são também interesses pessoais de quem decide. O alinhamento não é declarado em um documento. É financeiro.

Há uma diferença fundamental entre um gestor que recomenda uma posição e um gestor que carrega essa posição no próprio patrimônio. No primeiro caso, o custo de estar errado recai sobre o cotista. No segundo, recai sobre todos igualmente, incluindo quem decidiu.

Essa assimetria importa mais do que parece. Em momentos de crise, ela define a qualidade das decisões tomadas sob pressão. Um gestor que não compartilha do risco tende a agir de forma diferente daquele que tem patrimônio relevante na mesma carteira. A tolerância à volatilidade, a disposição de manter convicções em momentos adversos e a disciplina para não tomar decisões precipitadas são influenciadas diretamente por esse fator.

A história da Santa Fé é, em parte, a história de uma gestora que nunca separou o que pensa do que faz com o próprio dinheiro. Em 40 anos, isso se traduziu em resiliência real, não em discurso.

Na Santa Fé, o coinvestimento nunca foi uma escolha estratégica de posicionamento. É uma característica que atravessa 40 anos de história da casa e que se manifesta na forma como cada processo é definido, cada posição é construída e cada ciclo de mercado é enfrentado.

Quando o patrimônio de quem decide está no mesmo lugar que o do cotista, a convicção não precisa ser demonstrada. Ela aparece nas decisões tomadas sob pressão, na disposição de manter posições em momentos adversos e na qualidade da análise quando o ambiente exige mais do que técnica.

Acreditamos no que fazemos porque fazemos com o nosso próprio dinheiro. É assim há 40 anos, e é assim que continuamos.


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Equipe Santa Fé